sábado, 10 de junho de 2017

E O USO DA TECNOLOGIA NA ESCOLA, COMO VAI, VAI BEM?

Vivemos uma época de intensa interação e articulação entre rede tecnológica e social, visto que, as interações sócio – econômica – cultural passaram a ocupar também o espaço digital, caracterizando a rede como um espaço aberto e em permanente construção entre sistemas, aplicativos e novos conteúdos no espaço web dinamizando a  produção colaborativa, participação e interação.
Estamos na Web 2.0

As comunidades virtuais vão se multiplicando nesse espaço de criação, de conteúdo colaborativo e incessantemente atualizado, possibilitando enriquecer  a experiência dos usuários. O seu uso não se limita  apenas ao computador, mas telefones celulares, tablets, etc, criando uma plêiade de interatividade.
Agora buscamos lugares em que nos facilite a conexão, no que Lemos (2009) denomina como  “[...] novos nômades high-tech surgem buscando passar de ponto de acesso a ponto de acesso. [...] sua zona de conexão sem fio ao ciberespaço no espaço urbano público.”
Ampliamos o sentido de espaço urbano em suas dimensões físicas, simbólicas, econômicas, políticas, aliadas a banco de dados eletrônicos, dispositivos e sensores sem fio, portáteis e eletrônicos, ativados a partir da localização e da movimentação do usuário que passam a redimensionar práticas sociais no espaço urbano (Lemos, 2009).
A grande maioria dos jovens (dentre outras categorias geracionais) no Brasil, estão conectados de alguma maneira, seja nos espaços públicos, seja através de pacotes promocionais de operadoras de celulares. O ponto de ônibus, as ruas, os cafés, as praças, as bibliotecas, etc., tornam-se pontos de acesso wifi. conforme os gráficos a seguir[1]:





Mas como tem sido o acesso desse  jovens na escola? Percebemos que o acesso a rede na escola é bem menor em relação ao acesso desses jovens em deslocamento, por exemplo.

Pois bem, a Lei 13.005/2014 que institui o Plano Nacional de Educação, tem como alguns de seus objetivos,
IV - melhoria da qualidade da educação;
VII - promoção humanística, científica, cultural e tecnológica do País;
Em que pese que o cumprimento das 20 metas estabelecidas no PNE deva se concretizar nos próximos 10 anos, gostaria de destacar uma das suas estratégias da meta 3 (Ensino Médio) e meta 7 (Qualidade da Educação Básica/IDEB) em que tratam da  área de tecnologia,
3.14) estimular a participação dos adolescentes nos cursos das áreas tecnológicas e científicas.

7.12) incentivar o desenvolvimento, selecionar, certificar e divulgar tecnologias educacionais para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio e incentivar práticas pedagógicas inovadoras que assegurem a melhoria do fluxo escolar e a aprendizagem, assegurada a diversidade de métodos e propostas pedagógicas, com preferência para softwares livres e recursos educacionais abertos, bem como o acompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas;

7.15 - Universalizar, até o quinto ano de vigência deste PNE, o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidade e triplicar, até o final da década, a relação computador/aluno nas escolas da rede pública de Educação Básica, promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e da comunicação.

7.20) prover equipamentos e recursos tecnológicos digitais para a utilização pedagógica no ambiente escolar a todas as escolas públicas da educação básica, criando, inclusive, mecanismos para implementação das condições necessárias para a universalização das bibliotecas nas instituições educacionais, com acesso a redes digitais de computadores, inclusive a internet;

7.22) informatizar integralmente a gestão das escolas públicas e das secretarias de educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, bem como manter programa nacional de formação inicial e continuada para o pessoal técnico das secretarias de educação;

Para conferir o PNE:
http://www.observatoriodopne.org.br/metas-pne/7-aprendizado-adequado-fluxo-adequado/estrategias/7-15-acesso-a-internet-e-relacao-computadores-aluno


Segundo dados do INEP de 2014, o Brasil conta com 186,1 mil escolas das quais:


Não podemos negar que ao longo dos últimos anos o Governo Federal  vem criando programas para promover o uso de tecnologias no desenvolvimento de novos modelos de ensino e aprendizagem, dentre eles 

Programa Nacional de Tecnologia Educacional em 2007

Banda Larga nas Escolas em 2008

Um Computador por Aluno em 2010 

Apesar da disseminação dos computadores e acesso as redes fica difícil imaginar quando e como as tecnologias poderão ser utilizadas de forma efetiva para a produção de conhecimento em sala de aula, pois de acordo com a pesquisa TIC educação lançada em 2014 pelo comitê gestor da internet no Brasil,  apenas 6% das escolas possuem computadores instalados em sala de aula 85% possuem computadores instalados em laboratórios só 57% tem conexões de até  2 mega por segundo, a velocidade mínima prevista pelo programa banda larga nas escolas.  

A tecnologia já está na mão dos alunos, no entanto, em relação ao espaço da escola o que se percebe é um descompasso entre o que o aluno traz pra dentro das escolas e a falta de infra estrutura da mesma para abrigar e potencializar pedagogicamente o uso dos alunos nas redes.
Some-se a isso o despreparo de alguns professores no uso das tecnologias para a produção de conhecimento e aprendizagens no ambiente da escola.
Não só  infra estrutura, é preciso pensar também na formação e atualização de professores para que as tecnologias sejam incorporadas no dia a dia da escola, tornando os alunos usuários criativos dos novos recursos educacionais.
O que vemos ainda é um desencontro entre o que as legislações determinam e o ritmo das ações para a implantação e implementação das políticas educacionais nos usos das tecnologias.
Andamos a passos de tartaruga. Mas estamos caminhando, ainda.


BONILLA, Maria Helena. Formação de professores em tempos de Web 2.0. In: FREITAS, Maria Teresa de Assunção (Org.). Escola, tecnologias digitais e cinema. Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2011, p. 59-87.

LEMOS, André. Celulares, funções pós-midiáticas, cidade e mobilidade. URBE - Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 2, n. 2, p. 155–166, jul./dez. 2010.

PAIVA, V. L. M . O. A formação do professor para uso da tecnologia. In: SILVA, K.. A.; DANIEL, F. G.; KANEKO-MARQUES,  S. M.; SALOMÃO, A. C. B. (Orgs) A formação de professores de línguas: Novos Olhares - Volume 2. Campinas, SP: Pontes Editores, 2013. pg. 209-230.

BRASIL, Lei 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras providências. Disponível em: http://pne.mec.gov.br/ . Acesso em: 05 de jun. de 2017.




[1] http://idgnow.com.br/internet/2016/10/10/brasil-ainda-tem-6-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-sem-acesso-a-internet/

Um comentário:

  1. Precisamos olhar de forma crítica para esses índices. Por exemplo, o percentual que as pesquisas apontam de escolas com conexão é apenas nominal, porque na prática, muitas escolas passam a maior parte do tempo com a conexão desligada ou então com uma banda bem abaixo da prevista, o que impossibilita qualquer tipo de trabalho...

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