Vivemos
uma época de intensa interação e articulação entre rede tecnológica e social, visto
que, as interações sócio – econômica – cultural passaram a ocupar também o
espaço digital, caracterizando a rede como um espaço aberto e em permanente
construção entre sistemas, aplicativos e novos conteúdos no espaço web dinamizando
a produção colaborativa, participação e
interação.
Estamos na Web 2.0
As
comunidades virtuais vão se multiplicando nesse espaço de criação, de conteúdo
colaborativo e incessantemente atualizado, possibilitando enriquecer a experiência dos usuários. O seu uso não se
limita apenas ao computador, mas
telefones celulares, tablets, etc, criando uma plêiade de interatividade.
Agora
buscamos lugares em que nos facilite a conexão, no que Lemos (2009) denomina
como “[...] novos nômades high-tech
surgem buscando passar de ponto de acesso a ponto de acesso. [...] sua zona de
conexão sem fio ao ciberespaço no espaço urbano público.”
Ampliamos
o sentido de espaço urbano em suas dimensões físicas, simbólicas, econômicas,
políticas, aliadas a banco de dados eletrônicos, dispositivos e sensores sem
fio, portáteis e eletrônicos, ativados a partir da localização e da movimentação
do usuário que passam a redimensionar práticas sociais no espaço urbano (Lemos,
2009).
A
grande maioria dos jovens (dentre outras categorias geracionais) no Brasil,
estão conectados de alguma maneira, seja nos espaços públicos, seja através de
pacotes promocionais de operadoras de celulares. O ponto de ônibus, as ruas, os
cafés, as praças, as bibliotecas, etc., tornam-se pontos de acesso wifi. conforme
os gráficos a seguir[1]:
Mas
como tem sido o acesso desse jovens na
escola? Percebemos que o acesso a rede na escola é bem menor em relação ao
acesso desses jovens em deslocamento, por exemplo.
Pois
bem, a Lei 13.005/2014 que institui o Plano Nacional de Educação, tem como alguns
de seus objetivos,
IV - melhoria da
qualidade da educação;
Em
que pese que o cumprimento das 20 metas estabelecidas no PNE deva se
concretizar nos próximos 10 anos, gostaria de destacar uma das suas estratégias
da meta 3 (Ensino Médio) e meta 7 (Qualidade da Educação Básica/IDEB) em que
tratam da área de tecnologia,
3.14) estimular a
participação dos adolescentes nos cursos das áreas tecnológicas e científicas.
7.12)
incentivar o desenvolvimento, selecionar, certificar e divulgar tecnologias
educacionais para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio e
incentivar práticas pedagógicas inovadoras que assegurem a melhoria do fluxo
escolar e a aprendizagem, assegurada a diversidade de métodos e propostas
pedagógicas, com preferência para softwares livres e recursos educacionais abertos, bem como o acompanhamento dos resultados nos sistemas de ensino em que forem aplicadas;
7.15 - Universalizar, até o quinto ano
de vigência deste PNE, o acesso à rede mundial de computadores em banda larga
de alta velocidade e triplicar, até o final da década, a relação
computador/aluno nas escolas da rede pública de Educação Básica, promovendo a utilização
pedagógica das tecnologias da informação e da comunicação.
7.20) prover equipamentos e recursos tecnológicos digitais para
a utilização pedagógica no ambiente escolar a todas as escolas públicas da
educação básica, criando, inclusive, mecanismos para implementação das
condições necessárias para a universalização das bibliotecas nas instituições
educacionais, com acesso a redes digitais de computadores, inclusive a internet;
7.22) informatizar integralmente a gestão das escolas públicas e
das secretarias de educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
bem como manter programa nacional de formação inicial e continuada para o
pessoal técnico das secretarias de educação;
http://www.observatoriodopne.org.br/metas-pne/7-aprendizado-adequado-fluxo-adequado/estrategias/7-15-acesso-a-internet-e-relacao-computadores-aluno
Segundo
dados do INEP de 2014, o Brasil conta com 186,1 mil escolas das quais:
Não podemos negar que ao longo dos últimos anos
o Governo Federal vem criando programas
para promover o uso de tecnologias no desenvolvimento de novos modelos de
ensino e aprendizagem, dentre eles
Programa Nacional de Tecnologia Educacional
em 2007
Banda Larga nas Escolas
em 2008
Um Computador por Aluno
em 2010
Apesar
da disseminação dos computadores e acesso as redes fica difícil imaginar quando
e como as tecnologias poderão ser utilizadas de forma efetiva para a produção
de conhecimento em sala de aula, pois de acordo com a pesquisa TIC educação lançada
em 2014 pelo comitê gestor da internet no Brasil, apenas 6% das escolas possuem computadores
instalados em sala de aula 85% possuem computadores instalados em laboratórios só
57% tem conexões de até 2 mega por
segundo, a velocidade mínima prevista pelo programa banda larga nas escolas.
A
tecnologia já está na mão dos alunos, no entanto, em relação ao espaço da
escola o que se percebe é um descompasso entre o que o aluno traz pra dentro
das escolas e a falta de infra estrutura da mesma para abrigar e potencializar
pedagogicamente o uso dos alunos nas redes.
Some-se
a isso o despreparo de alguns professores no uso das tecnologias para a
produção de conhecimento e aprendizagens no ambiente da escola.
Não
só infra estrutura, é preciso pensar
também na formação e atualização de professores para que as tecnologias sejam incorporadas
no dia a dia da escola, tornando os alunos usuários criativos dos novos
recursos educacionais.
O
que vemos ainda é um desencontro entre o que as legislações determinam e o
ritmo das ações para a implantação e implementação das políticas educacionais
nos usos das tecnologias.
Andamos
a passos de tartaruga. Mas estamos caminhando, ainda.
BONILLA, Maria Helena. Formação de professores em tempos de Web 2.0. In: FREITAS,
Maria Teresa de Assunção (Org.). Escola, tecnologias digitais e cinema.
Juiz de Fora: Ed. UFJF, 2011, p. 59-87.
LEMOS, André. Celulares, funções pós-midiáticas, cidade e mobilidade. URBE
- Revista Brasileira de Gestão Urbana, v. 2, n. 2, p. 155–166, jul./dez. 2010.
PAIVA, V. L. M . O. A
formação do professor para uso da tecnologia. In: SILVA, K.. A.; DANIEL, F. G.;
KANEKO-MARQUES, S. M.; SALOMÃO, A. C. B.
(Orgs) A formação de professores de línguas: Novos Olhares - Volume 2.
Campinas, SP: Pontes Editores, 2013. pg. 209-230.
BRASIL, Lei 13.005, de 25 de
junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação – PNE e dá outras
providências. Disponível em: http://pne.mec.gov.br/
. Acesso em: 05 de jun. de 2017.
[1]
http://idgnow.com.br/internet/2016/10/10/brasil-ainda-tem-6-milhoes-de-criancas-e-adolescentes-sem-acesso-a-internet/



Precisamos olhar de forma crítica para esses índices. Por exemplo, o percentual que as pesquisas apontam de escolas com conexão é apenas nominal, porque na prática, muitas escolas passam a maior parte do tempo com a conexão desligada ou então com uma banda bem abaixo da prevista, o que impossibilita qualquer tipo de trabalho...
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