domingo, 9 de julho de 2017

VAMOS FALAR DE EAD!

VOCÊ SABIA QUE NELSON MANDELA, FEZ CURSO DE EDUCAÇÃO A DISTANCIA EM DIREITO, ENQUANTO ESTAVA NA PRISÃO?

UMA CURTA DEFINIÇÃO:

É uma modalidade de ensino em que estudantes e professores estão separados fisicamente, permitindo o estudo em tempos distintos, indicado para pessoas impossibilitadas de frequentar presencialmente as salas de aulas. Tem como objetivo a inserção social dos sujeitos  propagando o conhecimento em sua dimensão individual e coletiva.

UM POUQUINHO DE HISTÓRIA


O primeiro marco da EaD data de  20 de março de 1728 um professor de taquigrafia publicou num jornal em Boston a divulgação de seu curso por correspondência.  Em 1856 Berlim funda a primeira escola por correspondência destinada ao ensino de línguas. A partir de 1891  universidades dos EUA incluíram em suas propostas cursos a distancia em nível de extensão e formação.

Na Europa é criado em 1898,  na Suécia, o Instituto Hermod  especializado em cursos por correspondência. No final da 1ª guerra mundial a EaD  é dinamizada com o aprimoramento dos  serviços dos correios, como também por meios de transporte mais ágeis agregado ao desenvolvimento tecnológico das TIC, iniciando-se o uso de novos meios de comunicações como o rádio, marcando uma nova era para a EaD. 

No Brasil, o Instituto Universal Brasileiro inicia em 1940, a oferta de cursos por correspondência amplamente difundida em seu território.  Novos cursos e mais completos  são desenvolvidos tanto no âmbito do ensino formal como  de treinamento profissional entendido como um recurso alternativo para superação de deficiência educacional para qualificação profissional, aperfeiçoamento e ou atualização de conhecimentos.

Somente com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996) é que a EaD passa a ser incentivada pelo poder público conforme o Art. 80 da LDB:

O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.
Em 1996, foi criada a Secretaria de Educação a Distância – SEED, pelo Decreto nº 1.917, Anexo I, Seção 23, Art. 27, de 27 de maio de 1996. Com o  objetivo de ser
[...] um agente de inovação tecnológica nos processos de ensino e aprendizagem, fomentando a incorporação das tecnologias de informação e comunicação (TICs) e das técnicas de educação a distância aos métodos didático-pedagógicos. Além disso, promove a pesquisa e o desenvolvimento voltados para a introdução de novos conceitos e práticas nas escolas públicas brasileiras.


Responsável por desenvolver diversos programas e ações importantes para a inserção de tecnologias no cotidiano escolar e para a formação inicial e continuada de professores, tais como: Domínio Público – biblioteca virtual; DVD Escola; E-ProInfo; E-Tec Brasil; Programa Banda Larga nas Escolas; Proinfantil; ProInfo; ProInfo Integrado; TV Escola; Sistema Universidade Aberta do Brasil; Banco Internacional de Objetos Educacionais; Portal do Professor; Programa Um Computador por Aluno – Prouca; Projetor Proinfo. 

O Sistema Universidade Aberta do Brasil– UAB foi criado pelo SEED em 2005, embora sua oficialização tenha ocorrido através do  Decreto n.5.800, de 8 de junho de 2006. Em 2011, a SEED foi sumariamente extinta, seus programas e parte das ações passaram a vincular-se  à  Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI),  enquanto outras foram absorvidas pela Secretaria de Educação Básica (SEB) e a UAB passou a ser abrigada pela CAPES. ( http://uab.capes.gov.br/ .)

O Decreto n. 4.494/1998 abriu explicitamente o campo da EaD para a iniciativa privada evidenciado por um significativo crescimento nessa modalidade de ensino para o nível superior de ensino. Com o Decreto Nº 5622, de 2005, a EAD é reconhecida como uma modalidade de ensino, e em 2006 o MEC estabelece o marco regulatório da EaD no que diz respeito as exigências para os processos de credenciamento de instituições e polos, de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos, de identificação de deficiências e irregularidades e suas devidas ações corretivas e punitivas, de formação de consórcios, parcerias, convênios e acordos, entre outros.

Segundo o último Censo da Associação Brasileira de Educação a Distancia ABED[1], referente ao ano de 2015 - 2016, das 226 instituições que oferecem cursos ou disciplinas em EAD, 64% pertencem à rede privada, enquanto 36% são instituições públicas de ensino. Apesar de 67% delas já estarem no mercado de educação presencial há mais de 20 anos, a oferta de cursos a distância é mais recente, com 64% atuando a menos de 10 anos no segmento. Atualmente  mais de   3,8 milhões de estudantes participam da modalidade  EaD.

O MERCADO EaD

O aprimoramento das novas tecnologias a serviço da educação trouxe significativos avanços para o setor além de possibilitar outras reflexões sobre o real papel da EaD no cenário dos países em desenvolvimento, principalmente em países com dimensões territoriais significativas como é o caso do Brasil.

Novas profissões vem sugindo para atender esse mercado em expansão conforme quadro abaixo:




Ainda segundo o Censo da ABED, cursam nesta modalidade 5.048.912 alunos, sendo 1.108.021 em cursos regulamentados totalmente a distância e semipresenciais e 3.940.891 em cursos livres corporativos ou não corporativos. São 1.180.296 alunos registrados a mais do que em 2014.
Isso significa que o mercado nesse setor tem crescido, transformando essa modalidade de ensino numa "febre comercial” que afeta não só instituições privadas como as públicas também.

A explosão da EaD no Brasil deve-se ao fato de configurar cursos relativamente com custos mais baixos e consequente  lucro fácil obtido pela oferta em escala,  somado a precarização dos profissionais que atuam nessa modalidade que recebem de maneira desproporcional ao número de alunos que acompanham.



Tais evidencias vem com alguns questionamento acerca da efetividade das políticas públicas a essa modalidade de ensino no que diz respeito a qualificação de  profissionais especializados para trabalhar nos polos EaD.

Outra questão diz respeito ao acompanhamento a instituições privadas que desenvolvem "metodologias" homogeneizadas com vistas no barateamento dos cursos. Além da  relação desproporcional entre o  número de professor e tutor por aluno que simplifica o processo didático-pedagógico como um todo, provocando o "ensalamento" de alunos em cursos a distância monitorados quase exclusivamente por tutores.

Podemos perceber que muitas questões envolvem a qualidade da educação a distancia visando o atendimento satisfatório para a formação, qualificação e desenvolvimento do estudante.

A EaD pode ser uma excelente estratégia de difusão do conhecimento, não só por oferecer, pelo menos a primeira vista,  uma ferramenta mais barata, de melhor qualidade, mas sobretudo por possibilitar outras possibilidades metodológicas que gerem modelos  educacionais atrativos e eficazes que, associados as novas  tecnologias, possibilite o atendimento das demandas sociais na qualificação para o  trabalho integrando os sujeitos na sociedade, potencializando a qualidade de vida e a plenitude para o exercício da cidadania.

Referencias:

GOMES, Luiz Fernando. EAD no Brasil: perspectivas e desafios.Avaliação (Campinas) [online]. 2013, vol.18, n.1, pp.13-22. ISSN 1414-4077. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-40772013000100002&script=sci_abstract&tlng=pt

McAnally Salas, Lewis; Organista Sandoval, Javier. La educación en línea y la capacidad de innovación y cambio de las instituciones de educación. Apertura, v.7, n. 7, p. 82-94, nov. 2007.

MOORE, M. e KEARSLEY, G. Educação a Distancia: uma visão integrada. São Paulo, Thomson Learning, 2007.

Nascimento, Alberto Francisco; Pereira, Suly Rose Pinheiro. A dimensão fetichista e ideológica da tecnologia na política nacional de educação a distancia. In: XXI Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste, 2013, UFPE. 2013

TAYLOR, J. C. Fifth generation distance education. 20th ICDE World Confeerence. Düsserdorf, Alemanha, 1-5 abr. 2001.


Um comentário:

  1. Bom resgate histórico Regina. Agora, apesar de no site do MEC dizer que os programas que estavam na SEED foram para a SECADI, isso não é verdade. Vários deles foram para a SEB. De toda a forma, praticamente todos perderam força nessa migração, o que fragilizou as políticas públicas de TIC na Educação

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