VOCÊ SABIA QUE
NELSON MANDELA, FEZ CURSO DE EDUCAÇÃO A DISTANCIA EM DIREITO, ENQUANTO ESTAVA
NA PRISÃO?
UMA CURTA DEFINIÇÃO:
É
uma modalidade de ensino em que estudantes e professores estão separados
fisicamente, permitindo o estudo em tempos distintos, indicado para pessoas
impossibilitadas de frequentar presencialmente as salas de aulas. Tem como objetivo
a inserção social dos sujeitos propagando
o conhecimento em sua dimensão individual e coletiva.
UM
POUQUINHO DE HISTÓRIA
O
primeiro marco da EaD data de 20 de
março de 1728 um professor de taquigrafia publicou num jornal em Boston a
divulgação de seu curso por correspondência. Em 1856 Berlim funda a primeira escola por correspondência
destinada ao ensino de línguas. A partir de 1891 universidades dos EUA incluíram em suas
propostas cursos a distancia em nível de extensão e formação.
Na Europa
é criado em 1898, na Suécia, o Instituto
Hermod especializado em cursos por correspondência.
No final da 1ª guerra mundial a EaD é
dinamizada com o aprimoramento dos
serviços dos correios, como também por meios de transporte mais ágeis agregado
ao desenvolvimento tecnológico das TIC, iniciando-se o uso de novos meios de comunicações
como o rádio, marcando uma nova era para a EaD.
No Brasil,
o Instituto Universal Brasileiro inicia em 1940, a oferta de cursos por correspondência
amplamente difundida em seu território. Novos
cursos e mais completos são
desenvolvidos tanto no âmbito do ensino formal como de treinamento profissional entendido como um
recurso alternativo para superação de deficiência educacional para qualificação
profissional, aperfeiçoamento e ou atualização de conhecimentos.
Somente
com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - n. 9.394, de 20
de dezembro de 1996) é que a EaD passa a ser incentivada pelo
poder público conforme o Art. 80 da LDB:
Em 1996, foi criada a Secretaria de Educação a Distância – SEED, pelo Decreto nº 1.917, Anexo I, Seção 23, Art. 27, de 27 de maio de 1996. Com o objetivo de ser
O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.
[...] um agente de inovação tecnológica nos processos de ensino e aprendizagem, fomentando a incorporação das tecnologias de informação e comunicação (TICs) e das técnicas de educação a distância aos métodos didático-pedagógicos. Além disso, promove a pesquisa e o desenvolvimento voltados para a introdução de novos conceitos e práticas nas escolas públicas brasileiras.
Responsável por desenvolver diversos programas e ações importantes para a inserção de tecnologias no cotidiano escolar e para a formação inicial e continuada de professores, tais como: Domínio Público – biblioteca virtual; DVD Escola; E-ProInfo; E-Tec Brasil; Programa Banda Larga nas Escolas; Proinfantil; ProInfo; ProInfo Integrado; TV Escola; Sistema Universidade Aberta do Brasil; Banco Internacional de Objetos Educacionais; Portal do Professor; Programa Um Computador por Aluno – Prouca; Projetor Proinfo.
O Sistema
Universidade Aberta do Brasil– UAB foi criado pelo SEED em 2005, embora sua
oficialização tenha ocorrido através do Decreto n.5.800, de 8 de junho de
2006. Em 2011, a SEED foi sumariamente extinta, seus programas e parte das ações passaram
a vincular-se à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização,
Diversidade e Inclusão (SECADI), enquanto outras foram absorvidas pela Secretaria de Educação Básica (SEB) e a UAB passou
a ser abrigada pela CAPES. ( http://uab.capes.gov.br/ .)
O Decreto n. 4.494/1998 abriu explicitamente
o campo da EaD para a iniciativa privada evidenciado por um significativo
crescimento nessa modalidade de ensino para o nível superior de ensino. Com o Decreto Nº 5622, de 2005, a EAD é reconhecida como uma
modalidade de ensino, e em 2006 o MEC estabelece o marco regulatório da EaD no
que diz respeito as exigências para os processos de credenciamento
de instituições e polos, de autorização, reconhecimento e renovação de
reconhecimento de cursos, de identificação de deficiências e irregularidades e
suas devidas ações corretivas e punitivas, de formação de consórcios,
parcerias, convênios e acordos, entre outros.
Segundo o
último Censo da Associação Brasileira de Educação a Distancia ABED[1], referente ao ano de 2015
- 2016, das 226 instituições que oferecem cursos ou disciplinas em EAD, 64%
pertencem à rede privada, enquanto 36% são instituições públicas de ensino.
Apesar de 67% delas já estarem no mercado de educação presencial há mais de 20
anos, a oferta de cursos a distância é mais recente, com 64% atuando a menos de
10 anos no segmento. Atualmente mais de 3,8 milhões de estudantes
participam da modalidade EaD.
O
MERCADO EaD
O aprimoramento das
novas tecnologias a serviço da educação trouxe significativos avanços para o
setor além de possibilitar outras reflexões sobre o real papel da EaD no
cenário dos países em desenvolvimento, principalmente em países com dimensões
territoriais significativas como é o caso do Brasil.
Novas profissões vem
sugindo para atender esse mercado em expansão conforme quadro abaixo:
Ainda segundo o Censo
da ABED, cursam
nesta modalidade 5.048.912 alunos, sendo 1.108.021 em cursos regulamentados
totalmente a distância e semipresenciais e 3.940.891 em cursos livres
corporativos ou não corporativos. São 1.180.296 alunos registrados a mais do
que em 2014.
Isso significa que o mercado
nesse setor tem crescido, transformando essa modalidade de ensino numa "febre comercial” que afeta não só instituições privadas como as
públicas também.
A explosão da EaD no
Brasil deve-se ao fato de configurar cursos relativamente com custos mais
baixos e consequente lucro fácil obtido
pela oferta em escala, somado a precarização
dos profissionais que atuam nessa modalidade que recebem de maneira
desproporcional ao número de alunos que acompanham.
Tais evidencias vem
com alguns questionamento acerca da efetividade das políticas públicas a essa
modalidade de ensino no que diz respeito a qualificação de profissionais especializados para trabalhar nos
polos EaD.
Outra questão diz
respeito ao acompanhamento a instituições privadas que desenvolvem "metodologias"
homogeneizadas com vistas no barateamento dos cursos. Além da relação desproporcional entre o número
de professor e tutor por aluno que simplifica o processo didático-pedagógico
como um todo, provocando o "ensalamento" de alunos em cursos a
distância monitorados quase exclusivamente por tutores.
Podemos perceber que
muitas questões envolvem a qualidade da educação a distancia visando o
atendimento satisfatório para a formação, qualificação e desenvolvimento do
estudante.
A EaD pode ser uma
excelente estratégia de difusão do conhecimento, não só por oferecer, pelo
menos a primeira vista, uma ferramenta
mais barata, de melhor qualidade, mas sobretudo por possibilitar outras possibilidades
metodológicas que gerem modelos educacionais atrativos e eficazes que,
associados as novas tecnologias,
possibilite o atendimento das demandas sociais na qualificação para o trabalho integrando os sujeitos na sociedade,
potencializando a qualidade de vida e a plenitude para o exercício da cidadania.
Referencias:
GOMES, Luiz Fernando. EAD no Brasil: perspectivas e desafios.Avaliação (Campinas) [online].
2013, vol.18, n.1, pp.13-22. ISSN 1414-4077. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-40772013000100002&script=sci_abstract&tlng=pt
McAnally Salas, Lewis; Organista Sandoval,
Javier. La educación en línea y la capacidad de innovación y cambio de
las instituciones de educación. Apertura, v.7, n. 7, p. 82-94, nov.
2007.
MOORE, M. e KEARSLEY, G. Educação a Distancia: uma visão integrada. São Paulo, Thomson
Learning, 2007.
Nascimento, Alberto Francisco; Pereira, Suly
Rose Pinheiro. A dimensão fetichista e ideológica da tecnologia na política
nacional de educação a distancia. In: XXI Encontro de Pesquisa Educacional
do Norte e Nordeste, 2013, UFPE. 2013
TAYLOR, J. C. Fifth generation distance education. 20th ICDE World Confeerence. Düsserdorf,
Alemanha, 1-5 abr. 2001.




Bom resgate histórico Regina. Agora, apesar de no site do MEC dizer que os programas que estavam na SEED foram para a SECADI, isso não é verdade. Vários deles foram para a SEB. De toda a forma, praticamente todos perderam força nessa migração, o que fragilizou as políticas públicas de TIC na Educação
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