domingo, 4 de junho de 2017

VIVA A LIBERDADE

A primeira vez que ouvi  o termo  software livre foi há cinco anos atrás quando estudante de Pedagogia na Faculdade de Educação da UFBA. Ouvi o professor Nelson Pretto defender com entusiasmo a sua utilização em defesa da liberdade e senso de comunidade dos usuários, a partir de uma filosofia que implica em outro modo de produção e utilização dos bens culturais. 

O Movimento do software livre teve seu inicio a partir dos anos de 1980 nos EUA, fruto da insatisfação de alguns desenvolvedores de sistemas operacionais frente as limitações impostas por empresas com o uso de contratos de licença de software. Richard Stallman, empenhou-se por desenvolver um sistema operacional  compatível,  escapando assim, das restrições impostas pelas empresas dos chamados software proprietário,  criou o GNU e mais adiante fundou a  Free software Foundation https://www.fsf.org/about/Cabe ressaltar que esse movimento abrangeu Pesquisadores, ativistas e desenvolvedores, em diversas partes do mundo. 


Nos anos de 1990, Stallman juntou-se a Linus Torvalds que havia desenvolvido o sistema Linux e, posteriormente, criaram  o sistema operacional GNU/Linux.

                           

 
                                                                         
A esse de conceito software livre significa dizer que os usuários tem a liberdade de executar, copiar, distribuir, estudar, mudar e melhorar o sotfware, cabe ressaltar que o fato de ser livre não significa que seja grátis.  

Valorizar a produção e qualificação do conhecimento a partir de um novo paradigma de desenvolvimento sustentado e de uma nova postura que insere a questão tecnológica no contexto da construção de mundo com inclusão social e igualdade de acesso aos avanços tecnológicos. Esse é o conceito, aqui no Brasil,  da  Associação Software Livre.org, que reúne universidades, empresários, poder público, grupos de usuários, hackers, ONG's e ativistas pela liberdade do conhecimento pela promoção do uso e do desenvolvimento do software livre como uma alternativa de liberdade econômica, tecnológica e de expressão.

Confesso que a ideia que tinha sobre alguém modificar programas de computadores era o que ouvia e lia através dos meios de comunicações, uma ideia deturpada, ignorante e preconceituosa de que essas pessoas eram Hackers, invasores de sites que envolvia espionagem digital além de roubo em contas de banco pela internet. 

Foi quando ouvi falar em ativismo digital.


ÉTICA HACKERS



Conheci os softwares livres na FACED, durante as aulas ao utilizar os ambientes virtuais de aprendizagem, tais como Moodle e  Plataforma Freire.  Cursei alguns componentes curriculares que me esclareceram mais ainda sobre as implicações das novas tecnologias e a importância em defender o conhecimento compartilhado e o papel do professor nessa política implicada de difundir o conhecimento em defesa de uma cultura de compartilhar obras criativas e intelectuais  no âmbito da internet. Surge para mim outro conceito que parte do princípio de que o conhecimento deve ser disponibilizado livremente para o desenvolvimento da humanidade.

CREATIVE COMMONS    


Reconheço que existe um interesse político econômico mundial em escamotear e deturpar o conceito de software livre, já que a total  publicização e uso mais efetivo da sociedade em usar esses programas implicaria em desestabilizar lugares de controle do saber poder estabelecidos pela política de dominação. 


Atualmente, em que pese a existência de   uma política pública através do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo),  em que utiliza software livre (Linux Educacional 18)  nos laboratórios das escolas públicas e dos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) em todo Brasil, ainda encontramos resistência por parte de professores,  pela crença de que  o software livre não funciona, é difícil de operar e não é seguro.  

Mesmo com o empenho de vários setores da sociedade em difundir o conceito e a utilização de software livre no Brasil, percebo que no âmbito de muitas escolas ainda existe a desinformação, além das dificuldades instrumentais de usos, acesso e conhecimento de programas livres.  

Diante do movimento contra a difusão do conhecimento e da autonomia dos usuários , imposto pelo mercado capitalista, cabe a nós educadores e ativistas sociais aceitar o desafio de transpor o conceito filosófico da ética hackers, por exemplo, para o espaço da escola, através da qualificação de profissionais na perspectiva de emancipar  estudantes e a comunidade escolar, no que Paulo Freire (1997) denomina emancipação, ou seja, a educação como um instrumento imprescindível de transformação da sociedade que  possibilita ao estudante apropriar-se da realidade e transformar-se em agente da sua própria história, atuante e consciente do seu saber fazer no mundo.  

Referências:

BENKLER, Y. A economia política dos commons. In: SILVEIRA, S (Org.). A comunicação digital e a construção dos commons: redes virais, espectro aberto e as novas possibilidades de regulação. São Paulo: Perseu Abramo, 2007.

BONILLA, Maria Helena. Software Livre e Educação: uma relação em construção. PERSPECTIVA, Florianópolis, v. 32, n. 1, 205-234, jan./abr. 2014.

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia. São Paulo: Paz e Terra, 1997.






2 comentários:

  1. No meu bairro em Cruz das Almas foi instalado um Centro de Cidadania Digital (CDC) é um projeto do Governo do Estado, se não me engano. Os computadores operam com o Linux e os cursos são pensados a partir do Linux. Mas sempre se faz uma analogia aos sistemas operacionais privados, como se usasse o Linux, por não haver outra possibilidade, mas o objetivo é final é usar o windows. É um desafio!

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    1. Concordo Rafael. É um grande desafio mudar esse paradigma de que os softwares proprietários são melhores, mais fáceis, etc,etc.. A gentes acaba se acostumando e nem se dá conta o quanto estamos sendo manipulados. Ah, obrigada pela visita! Valeu!

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