Segundo
o Comitê de Ajudas
Técnicas - CAT, instituído pela PORTARIA N° 142, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006, Tecnologia
Assistiva (TA) “é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar,
que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços
que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação
de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social" .
A
legislação brasileira estabelece o direito à tecnologia assistiva, no entanto a
informação sobre a existência desta legislação e os direitos inerentes a pessoa
com deficiência ainda não está divulgada de forma clara e fácil para pessoas que
necessitem de TA. Visto que as informações existentes estão pulverizadas e
ficam, muitas vezes, restritas aos diferentes agentes de governo e a poucos
profissionais que atuam nas áreas da saúde, educação, assistência social,
direitos humanos, trabalho, etc.
A classificação[2]
abaixo, foi desenhada com base nas diretrizes gerais da ADA[3],
como também em outras classificações utilizadas em bancos de dados de TA no
Programa de Certificação em Aplicações da Tecnologia Assistiva – ATACP da
California State University Northridge, College of Extended Learning and Center
on Disabilities[4] , tendo como objetivo didático para identificação dos recursos mais
apropriados ao atendimento de cada necessidade funcional.
Podemos perceber
a grande abrangência do tema, que vai além de um conjunto de ferramentas que favorecem o desenvolvimento de habilidades de
pessoas com deficiência, a TA extrapola a concepção assistiva como
compreendemos ao agregar outras atribuições ao conceito de ajuda técnica como:
estratégias, serviços e práticas. Torna-se uma questão a ser discutida quando a TA se transforma em produto a ser comercializado.
Segundo
especialistas da área de novos empreendimentos, o mercado de TA está em franco
crescimento em todo mundo. No Brasil, segundo o IBGE existem 45 milhões de
pessoas com algum tipo de deficiência, ou seja 23,9% da população brasileira, no
mundo esse número chega a 1 bilhão, o que equivale dizer 14% da população
mundial. Pessoas que necessitam de atendimento na saúde, educação, habitação.
Várias empresas em todas as
partes do planeta vem investindo no mercado de tecnologias assistivas, para se
ter uma ideia do potencial do mercado, nos EUA são gastos U$ 58
bilhões por ano no mercado de TA. No Brasil, até o ano de 2014 foram investidos
R$ 7, 2 bilhões por empresas no desenvolvimento dessas tecnologias.
A exemplo da neuro engenheira Michele Souza[5],
que desde 2010, usa recursos próprios para desenvolver projetos de próteses
inteligentes e um exoesqueleto que permite ao cadeirante levantar, andar e
sentar.
A cientista pretende popularizar a
tecnologia e torná-la mais acessível. Sua empresa comercializa a placa
eletrônica que possibilita a integração entre uma pessoa e uma máquina, por R$
928. Esta placa é a única mundo disponível no mercado para integrar o ser vivo
à uma máquina. Ela possibilita o desenvolvimento de cadeiras de rodas e
exoesqueletos para tetraplégicos[6.
O mercado suplanta o aspecto da
inclusão para vislumbrar o impacto social na perspectiva de negócios. As empresas vem o potencial de consumo dessa população, e
buscam adaptar seus canais de comunicação que precisam estar adaptados para esse
público.
Mesmo com algum investimento por parte
do governo certamente as classes sociais menos favorecidas não são beneficiadas
a curto prazo (e talvez nunca) com esses avanços.
Os programas de governo não conseguem
atender a demanda atualizada dessas tecnologias, sinalizando um problema social
que se apresenta no mundo dos avanços tecnológicos: a equidade de oportunidades
para a promoção da inclusão das pessoas com deficiência, tanto no campo da
educação, inserção no trabalho, na vida privada, como na vida em sociedade
ainda é uma questão que carece de resolução.
[1] Disponível em: http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html
[3] American with Disabilities Act,
[6] http://economia.estadao.com.br/blogs/sua-oportunidade/tecnologia-assistiva-brasileira-ganha-mercado-e-premios/
REFERÊNCIAS
BONILLA, Maria Helena; PRETTO, Nelson De Luca. Movimentos colaborativos, tecnologias digitais e educação.
Em aberto, Brasília, v. 28, n. 94, p. 23-40, jul./dez. 2015.
GALVÃO FILHO. Teófilo Alves. Tecnologia assistiva: favorecendo o desenvolvimento e a
aprendizagem em contextos educacionais inclusivos. In: GIROTO, Claudia
Regina Mosca; POKER, Rosimar Bortolini; OMOTE, Sadao.(Org.) As tecnologias
nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília, Oficina Universitária; São Paulo,
Cultura Acadêmica, 2012. p. 65-92.


Nos últimos anos muita coisa foi feita, tecnologias foram desenvolvidas, legislações e normatizações foram instituídas, mas muito ainda precisa ser feito, e para isso é necessário política pública, com certeza... não pode ficar na mão do mercado...
ResponderExcluirOlá Regina. Parabéns pelo seu texto! Adorei :)
ResponderExcluirA Tecnologia pode ser Assistiva, mas não é acessível.
Fiquei muito reflexiva com a imagem intitulada "viver sem limites", em que aparece os 5 "s" (senac, senai, senar e senat), sendo essas as formas de inclusão das pessoas com deficiência, logo me lembrei de um debate sobre inclusão das pessoas no mercado de trabalho, pois se descobriu que elas são ótimas mão de obra barata para trabalhar nas grandes fábricas, além das empresas atenderem a Lei de cotas.
No final tudo vira produto e mercado. Desde pessoas a bens de consumo.
Beijos :*