domingo, 2 de julho de 2017

O MERCADO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA





Segundo o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído pela PORTARIA N° 142, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006, Tecnologia Assistiva (TA) “é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social" .


A legislação brasileira estabelece o direito à tecnologia assistiva, no entanto a informação sobre a existência desta legislação e os direitos inerentes a pessoa com deficiência ainda não está divulgada de forma clara e fácil para pessoas que necessitem de TA. Visto que as informações existentes estão pulverizadas e ficam, muitas vezes, restritas aos diferentes agentes de governo e a poucos profissionais que atuam nas áreas da saúde, educação, assistência social, direitos humanos, trabalho, etc.





A classificação[2] abaixo, foi desenhada com base nas diretrizes gerais da ADA[3], como também em outras classificações utilizadas em bancos de dados de TA no Programa de Certificação em Aplicações da Tecnologia Assistiva – ATACP da California State University Northridge, College of Extended Learning and Center on Disabilities[4] ,  tendo como objetivo  didático para identificação dos recursos mais apropriados ao atendimento de cada necessidade funcional.





Podemos perceber a grande abrangência do tema, que vai além de um conjunto de ferramentas que  favorecem o desenvolvimento de habilidades de pessoas com deficiência, a TA extrapola a concepção assistiva como compreendemos ao agregar outras atribuições ao conceito de ajuda técnica como: estratégias, serviços e práticas. Torna-se uma questão a ser discutida quando a TA se transforma em produto a ser comercializado.


Segundo especialistas da área de novos empreendimentos, o mercado de TA está em franco crescimento em todo mundo. No Brasil, segundo o IBGE existem 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, ou seja 23,9% da população brasileira, no mundo esse número chega a 1 bilhão, o que equivale dizer 14% da população mundial. Pessoas que necessitam de atendimento na saúde, educação, habitação.

Várias empresas em todas as partes do planeta vem investindo no mercado de tecnologias assistivas, para se ter uma ideia do potencial do mercado, nos  EUA são gastos U$ 58 bilhões por ano no mercado de TA. No Brasil, até o ano de 2014 foram investidos R$ 7, 2 bilhões por empresas no desenvolvimento dessas tecnologias.
A exemplo da neuro engenheira Michele Souza[5], que desde 2010, usa recursos próprios para desenvolver projetos de próteses inteligentes e um exoesqueleto que permite ao cadeirante levantar, andar e sentar.
A cientista pretende popularizar a tecnologia e torná-la mais acessível. Sua empresa comercializa a placa eletrônica que possibilita a integração entre uma pessoa e uma máquina, por R$ 928. Esta placa é a única mundo disponível no mercado para integrar o ser vivo à uma máquina. Ela possibilita o desenvolvimento de cadeiras de rodas e exoesqueletos para tetraplégicos[6.
O mercado suplanta o aspecto da inclusão para vislumbrar o impacto social na perspectiva de negócios.  As empresas vem  o potencial de consumo dessa população, e buscam adaptar seus canais de comunicação que precisam estar adaptados para esse público.
Mesmo com algum investimento por parte do governo certamente as classes sociais menos favorecidas não são beneficiadas a curto prazo (e talvez nunca) com esses avanços.



Os programas de governo não conseguem atender a demanda atualizada dessas tecnologias, sinalizando um problema social que se apresenta no mundo dos avanços tecnológicos: a equidade de oportunidades para a promoção da inclusão das pessoas com deficiência, tanto no campo da educação, inserção no trabalho, na vida privada, como na vida em sociedade ainda é uma questão que carece de resolução.



[2] Criada em 1998 por José Tonolli e Rita Bersch  e  atualizada em 2017.
[3] American with Disabilities Act,
[4] http://www.csun.edu/cod/assistive-technology-certificate-program
[5] http://www.cycor.com.br/
[6] http://economia.estadao.com.br/blogs/sua-oportunidade/tecnologia-assistiva-brasileira-ganha-mercado-e-premios/


REFERÊNCIAS

BONILLA, Maria Helena; PRETTO, Nelson De Luca. Movimentos colaborativos, tecnologias digitais e educação. Em aberto, Brasília, v. 28, n. 94, p. 23-40, jul./dez. 2015.

GALVÃO FILHO. Teófilo Alves. Tecnologia assistiva: favorecendo o desenvolvimento e a aprendizagem em contextos educacionais inclusivos. In: GIROTO, Claudia Regina Mosca; POKER, Rosimar Bortolini; OMOTE, Sadao.(Org.) As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília, Oficina Universitária; São Paulo, Cultura Acadêmica, 2012. p. 65-92.

2 comentários:

  1. Nos últimos anos muita coisa foi feita, tecnologias foram desenvolvidas, legislações e normatizações foram instituídas, mas muito ainda precisa ser feito, e para isso é necessário política pública, com certeza... não pode ficar na mão do mercado...

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  2. Olá Regina. Parabéns pelo seu texto! Adorei :)

    A Tecnologia pode ser Assistiva, mas não é acessível.

    Fiquei muito reflexiva com a imagem intitulada "viver sem limites", em que aparece os 5 "s" (senac, senai, senar e senat), sendo essas as formas de inclusão das pessoas com deficiência, logo me lembrei de um debate sobre inclusão das pessoas no mercado de trabalho, pois se descobriu que elas são ótimas mão de obra barata para trabalhar nas grandes fábricas, além das empresas atenderem a Lei de cotas.

    No final tudo vira produto e mercado. Desde pessoas a bens de consumo.

    Beijos :*

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