Tudo conectado dispositivos,
casas, geladeiras, carros, qualquer objeto conectado e processando dados numa
rede em interação, controlados remotamente através internet, criando
oportunidades entre o mundo físico e o mundo digital.
Um tipo de interface
comunicacional entre humanos, máquinas e objetos que, ao fundir os mundos
material e informacional, possibilita que tudo que nos cerca esteja conectado
com chips, sensores e antenas entre si
para levar conforto e bem estar para as pessoas. Bem vindo a internet das
coisas.
Com todo esse aparato
ficaremos acomodados e cada vez mais consumidores passivos, estagnando com isso
a nossa criticidade em relação a realidade que nos cerca?
No entanto, uma questão
para mim mais importante, se instala: Como vamos lidar com o processo ensino aprendizagem
para a formação de sujeitos, na temporalidade e localidade da Internet das
Coisas?
Num mundo em que somos
bombardeados de estímulos audiovisuais que nos requer respostas imediatas, a memória
digital que nos possibilita lembrar de qualquer assunto em qualquer tempo,
podemos parar um pouco aqui neste ponto para pensar sobre a escola quando falamos da internet das coisas.
O Ministério da
Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) realizou durante dois meses, em inícios
de 2017, uma consulta pública do Plano Nacional de Internet das
Coisas (IoT) no Brasil que irá definir as medidas a serem tomadas
para que o país promova a chamada “Internet das Coisas” como modelo de
desenvolvimento de setores como o automobilístico, agropecuário e
urbanístico do país.
Segundo o site do MCTI a
consulta teve 23 mil acessos únicos que resultaram em 2.288 contribuições sobre
grandes temas relacionados à IoT, abordados numa série de perguntas. Em média,
cada questão recebeu 15 respostas.
Demanda
foi a área líder em participações, com 387 contribuições. Pesquisa e
desenvolvimento (257); papel do Estado (226); oferta tecnológica e composição
de ecossistemas (225); e assuntos regulatórios (219) vêm logo atrás.
Também
foram consultados os seguintes temas: segurança e privacidade, que teve 185
participações; redes e transporte de dados, com 163 contribuições; recursos
humanos e suporte a aplicações e serviços, que receberam 139 sugestões cada;
gateways e dispositivos, com 131 sugestões; gerenciamento de infraestrutura,
que teve 108 contribuições; investimento, financiamento e fomento, com 64
respostas; e aspirações, com 42 participações.
Eis alguns
dos pontos do Plano que será lançado:
1) investir na formação de
profissionais;
2) incentivar a criação de
startups;
3) implementar os grandes
negócios;
4) promover melhorias no
ambiente legal e regulatório. O projeto está na fase de levantamento do
potencial do mercado nacional.
O Plano
Nacional de IoT servirá para nortear ações e políticas públicas para o setor
até 2025. As diretrizes devem ser apresentadas pelo MCTIC. O Plano Nacional de
Internet das Coisas prevê avanços expressivos no aquecimento da economia e na
geração de empregos.
Como pudemos perceber a
educação não está inserida na pauta de discussões do Plano, pelo menos nesse
apresentado pelo site do MCTI, o fato de, no seu primeiro item, constar a
formação de profissionais, não nos dá a garantia que o setor educação esteja
sendo pensado nessa agenda.
Diante de tantas
dificuldades enfrentadas pelas escolas públicas brasileiras, relativas a acesso
e infraestrutura para funcionamento de internet e uso das TIC, fica bem
evidente a educação e consequentemente as escolas estarem de fora da previsão
do Plano Nacional de IoT.
É claro que independente
da escola os alunos estarão invariavelmente inseridos no universo da internet
das coisas e essa inserção, sem dúvida, afetará a forma como os professores
deverão lidar com o processo de ensino-aprendizagem dentro das escolas.
A capacidade da Internet
de armazenar e transformar as informações já vem afetando o atual sentido da escola, os professores
necessitam cada vez mais elaborar
estratégias didáticas em relação ao modo como as informações estão apreendidas e aprendidas pelos alunos no
transcorrer do processo de ensino-aprendizagem. Cada vez mais com a intervenção
de dispositivos que coletam, memorizam, transformam e transmitem as informações
conectando a outros objetos e pessoas, as relações com a aprendizagem também
deverão ser drasticamente modificadas.
A criatividade deverá
ser a mola mestra nas experiências formativas gerando possibilidades emancipatória do conhecimento. Acredito que na
sociedade da Internet das Coisas, a aprendizagem deve ser entendida em outra perspectiva
da que temos entendido até hoje.
Todos nós lidamos hoje em dia com uma quantidade excessiva de informação, transforma-la em conhecimento aprofundado, crítico e
emancipatório, sem dúvida será o grande
desafio para os professores e para a escola pública brasileira em desenvolver com seus alunos processos mais livres e
colaborativos de aprendizagem, que estimulem a criatividade e inovação.
ZUIN,
Vânia Gomes; ZUIN. Antônio Álvaro Soares. A
formação no tempo e no espaço da internet das coisas. Educação
e Sociedade, v.37, n. 136, p. 757-773, jul./set. 2016
NETO, Saul
de Oliveira Sichonany; NASCIMENTO, Valéria Ribas.A
Cibercidadania como direito humano de terceira geração e o acesso à internet em
alta velocidade: a PEC 479/2010 frente a inclusão digital. In: ROVER, Aires José; FILHO, Adalberto;
PINHEIRO, Rosalice (Coord). Direito
e novas tecnologias. Florianópolis:
FUNJAB, 2013, p. 35-60


Realmente, num país onde a escola ainda não consegue incorporar as possibilidades da web 2.0, como esperar que incorporem as possibilidades da internet das coisas? muito a fazer!!!
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