segunda-feira, 17 de julho de 2017

O IMBRÓGLIO DA EDUCAÇÃO EM TEMPOS DE NOVAS TECNOLOGIAS OU COMO ENTENDER A GERAÇÃO POLEGARZINHXS

“Polegarzinha” é um livro que analisa a juventude contemporânea completamente envolvida com as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Escrito pelo o filósofo francês Michel Serres (1930), professor da Universidade de Stanford, membro da Academia Francesa desde 1990 e que foi professor visitante na Universidade de São Paulo (USP) em 1973. De formação multidisciplinar, possui  formação em ciências exatas (matemática e física) pesquisa a  Epistemologia, Educação, Meio Ambiente e Comunicação.
                                                Michel Serres

A primeira reação do livro diz respeito ao título curioso:
Polegarzinha deve-se, segundo o autor, ao grande número de mulheres francesas, em relação aos homens,  que estudam e estão atuantes no mercado de trabalho (não é tão diferente da nossa realidade aqui no Brasil).

Entre os 5.395 municípios brasileiros que possuem estudantes do ensino médio, as mulheres são maioria em 73,4% deles, ou seja, nessas cidades elas representam 51% ou mais do total de alunos. 

 http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/mulheres-sao-maioria-no-ensino-medio-em-73-dos-municipios-brasileiros/21206 


Outro aspecto curioso do título do livro é que faz uma alusão a forma como jovens manipulam os seus celulares para interagir com outras pessoas, com coisas, com as informações, etc, etc.


Se antes nossa relação com a descoberta, o conhecimento, a criação era com o dedo indicador:


Agora...


Em entrevista o professor Serres fala sobre o seu livro e a juventude globalizada:



A NOVIDADE?

O autor descreve o comportamento da atual geração de jovens (o livro foi escrito em 2013) em contato com as novas tecnologias,  como uma geração asséptica, dissociadas da ancestralidade, da natureza, da emoção. Jovens sem experiências sinestésicas, vazias de vivências. Ou como brincamos aqui no Brasil,  “jovens criados em playground”,  em que  pássaro é avião, árvore é poste.

Piadas à parte, cabe destacar que aqui no Brasil, essa definição vale apenas para uma classe social que possui um certo poder aquisitivo. Jovens pobres no Brasil,  que convivem, mesmo que precariamente,  com as TIC, ainda possuem uma certa ligação com  a comunidade, a família,  (isso quando não são tragados pelo tráfico de drogas e a marginalidade) sem contar que ainda possuímos um grande número de jovens residindo em periferias que muito se assemelham a regiões rurais. Jovens que não desfrutam da proteção de um playground, jovens que correm riscos de serem atingidos por bala perdida, abordagem policial, desemprego, falta de escolas, etc, etc.

A linguagem mudou (sempre muda, de geração a geração)  o trabalho se transformou (sempre se transforma).  A influencia da mídia adestrando as reações, os sentimentos, faz com que esse mundo apresente-se  confuso, cheio de informações, gerando crianças multitarefas,  imediatistas, em que o tempo da leitura de um livro, por exemplo,  é trocado por drops, resumos sintetizados por tempos cada vez menores. Usam os polegares para escrever; diferente de seus antepassados do tempo da datilografia, do tempo rupestre...cuneiforme...e por aí vai.

A minha reação ao livro é perceber, ou melhor, confirmar que realmente não estamos conseguindo entender o movimento da juventude e sua relação com as TIC.

Essas  transformações comportamentais  também estão  afetando nós  adultos, estamos também modificando as nossas relações, esmaicendo vínculos, filiações, vendo  fragmentar as ideologias que nos constituíam. Mesmo com alguma dificuldade, estamos nos assoberbando de tarefas. É fato que não somos como nossos pais e nenhum filho nunca foi ou será.  

O que fazia de nossos bisavós, avós, pais,  se sentirem mais confortáveis em relação aos jovens do passado, é que eles tinham o que ensinar. O jovem sempre necessitava do mais velho como referencial para aprender, e até mesmo discordar.
Mas, como lidar com este jovem contemporâneo que mira com desdém o conhecimento dos mais velhos?  Essa relação ancestral mestre aprendiz  é rompida com as novas tecnologias. A grande maioria das pessoas mais velhas sente dificuldade diante dos aparatos tecnológico.

Principalmente quando constatamos que não é o mais velho (professor, pais, familiares) que detém  o saber que  agora está em todo lugar, é acessível a todo mundo.

Não temos mais o que ensinar?

Espaço legítimo de ensino, a escola passa a ser um espaço fragilizado, arcaico. Sala de aula com todos os alunos sentados enfileirados, aulas extensas em que apenas o professor fala. Parece que não percebemos, ou não estamos sabendo nos desprender das instituições do passado. Estamos nos apegando a um modelo que está revelando a sua ineficácia nesses tempos atuais.

Torna-se difícil concorrer aos  apelos das TIC nesse labirinto virtual, onde cada esquina traz uma surpresa, uma nova descoberta de vários saberes,   espalhados, diluídos, democrático, imensurável.

Os corpos se moldam a outras convenções que não aquela da sala de aula convencional, os jovens não são mais passivos, como muitas vezes fomos, diante do conhecimento. Como desejar que o aluno se adapte ao modelo tradicional de ensino aprendizagem que está enraizado na nossa maneira de fazer educação? Esses jovens já se adaptam rapidamente a uma outra dimensão de ensino aprendizagem oferecido pelas novas tecnologias.

O saber está disponibilizado nas mãos de cada um.... vários conhecimentos disponibilizados que se transformam em aprendizagem quando refletidos, transformados, caso contrário não passam de  repositório de informações.
O saber está difundido e cada dia mais veloz. precisamos de mentes abertas e observadoras que descubram soluções para  reconstruir  o que muitas vezes parece ter chegado ao limite de possibilidades.

Infinitas são as oportunidades que as TIC nos oferecem em prol do conhecimento nos levando a resultados surpreendentes, proporcionando  a serendipidade, ou seja,  buscar uma coisa e encontrar outras nesse ambiente caótico,  rizomático e motivador de descobertas que as novas tecnologias apresentam. Na desorganização encontramos outros modos de organização, fugimos das hierarquias, dos modelos pré estabelecidos.

SERENDIPIDADE



A perplexidade de  nós professores, pais e educadores  diante desse  jovem imerso nas TIC, se assemelha àquela quando vemos um livro sem numeração que tem suas páginas arrancadas e jogadas à uma forte ventania, tendo como  desafio remontá-lo depois de colher cada página espalhada pelo  vento e, como não possuímos a numeração, nos resta  a impossibilidade em montá-lo exatamente como era antes.

Penso que  a desordem cria uma outra maneira de ordenar o conhecimento, o ensino, a aprendizagem e a sociedade. Serres considera que o aprendizado, seja para o indivíduo, seja para as ciências, seja para a sociedade,  se dá sempre no limiar, nessas interconexões entre o que já é conhecido e o que não é.

Estamos vivendo uma era em que tudo tem que ser reinventado, inventado.  Aprender com jovens polegarzinhxs, significa pensar um mundo onde todo mundo aprende com todo mundo, significa desconstruir a ideia de hierarquia e campos de saberes institucionalizados. Significa democratizar as relações e estabelecer outros laços e vínculos sociais, talvez nos pareça uma utopia, mas sem dúvida, será uma quebra de paradigmas para nossa sociedade tão apegada a relações de poder e dominação.



SERRES, Michel. Polegarzinha. Tradução Jorge Bastos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013 |parte 1 - Polegarzinha| |parte2 - Escola| |parte3 - Sociedade|








domingo, 9 de julho de 2017

VAMOS FALAR DE EAD!

VOCÊ SABIA QUE NELSON MANDELA, FEZ CURSO DE EDUCAÇÃO A DISTANCIA EM DIREITO, ENQUANTO ESTAVA NA PRISÃO?

UMA CURTA DEFINIÇÃO:

É uma modalidade de ensino em que estudantes e professores estão separados fisicamente, permitindo o estudo em tempos distintos, indicado para pessoas impossibilitadas de frequentar presencialmente as salas de aulas. Tem como objetivo a inserção social dos sujeitos  propagando o conhecimento em sua dimensão individual e coletiva.

UM POUQUINHO DE HISTÓRIA


O primeiro marco da EaD data de  20 de março de 1728 um professor de taquigrafia publicou num jornal em Boston a divulgação de seu curso por correspondência.  Em 1856 Berlim funda a primeira escola por correspondência destinada ao ensino de línguas. A partir de 1891  universidades dos EUA incluíram em suas propostas cursos a distancia em nível de extensão e formação.

Na Europa é criado em 1898,  na Suécia, o Instituto Hermod  especializado em cursos por correspondência. No final da 1ª guerra mundial a EaD  é dinamizada com o aprimoramento dos  serviços dos correios, como também por meios de transporte mais ágeis agregado ao desenvolvimento tecnológico das TIC, iniciando-se o uso de novos meios de comunicações como o rádio, marcando uma nova era para a EaD. 

No Brasil, o Instituto Universal Brasileiro inicia em 1940, a oferta de cursos por correspondência amplamente difundida em seu território.  Novos cursos e mais completos  são desenvolvidos tanto no âmbito do ensino formal como  de treinamento profissional entendido como um recurso alternativo para superação de deficiência educacional para qualificação profissional, aperfeiçoamento e ou atualização de conhecimentos.

Somente com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996) é que a EaD passa a ser incentivada pelo poder público conforme o Art. 80 da LDB:

O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada.
Em 1996, foi criada a Secretaria de Educação a Distância – SEED, pelo Decreto nº 1.917, Anexo I, Seção 23, Art. 27, de 27 de maio de 1996. Com o  objetivo de ser
[...] um agente de inovação tecnológica nos processos de ensino e aprendizagem, fomentando a incorporação das tecnologias de informação e comunicação (TICs) e das técnicas de educação a distância aos métodos didático-pedagógicos. Além disso, promove a pesquisa e o desenvolvimento voltados para a introdução de novos conceitos e práticas nas escolas públicas brasileiras.


Responsável por desenvolver diversos programas e ações importantes para a inserção de tecnologias no cotidiano escolar e para a formação inicial e continuada de professores, tais como: Domínio Público – biblioteca virtual; DVD Escola; E-ProInfo; E-Tec Brasil; Programa Banda Larga nas Escolas; Proinfantil; ProInfo; ProInfo Integrado; TV Escola; Sistema Universidade Aberta do Brasil; Banco Internacional de Objetos Educacionais; Portal do Professor; Programa Um Computador por Aluno – Prouca; Projetor Proinfo. 

O Sistema Universidade Aberta do Brasil– UAB foi criado pelo SEED em 2005, embora sua oficialização tenha ocorrido através do  Decreto n.5.800, de 8 de junho de 2006. Em 2011, a SEED foi sumariamente extinta, seus programas e parte das ações passaram a vincular-se  à  Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI),  enquanto outras foram absorvidas pela Secretaria de Educação Básica (SEB) e a UAB passou a ser abrigada pela CAPES. ( http://uab.capes.gov.br/ .)

O Decreto n. 4.494/1998 abriu explicitamente o campo da EaD para a iniciativa privada evidenciado por um significativo crescimento nessa modalidade de ensino para o nível superior de ensino. Com o Decreto Nº 5622, de 2005, a EAD é reconhecida como uma modalidade de ensino, e em 2006 o MEC estabelece o marco regulatório da EaD no que diz respeito as exigências para os processos de credenciamento de instituições e polos, de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos, de identificação de deficiências e irregularidades e suas devidas ações corretivas e punitivas, de formação de consórcios, parcerias, convênios e acordos, entre outros.

Segundo o último Censo da Associação Brasileira de Educação a Distancia ABED[1], referente ao ano de 2015 - 2016, das 226 instituições que oferecem cursos ou disciplinas em EAD, 64% pertencem à rede privada, enquanto 36% são instituições públicas de ensino. Apesar de 67% delas já estarem no mercado de educação presencial há mais de 20 anos, a oferta de cursos a distância é mais recente, com 64% atuando a menos de 10 anos no segmento. Atualmente  mais de   3,8 milhões de estudantes participam da modalidade  EaD.

O MERCADO EaD

O aprimoramento das novas tecnologias a serviço da educação trouxe significativos avanços para o setor além de possibilitar outras reflexões sobre o real papel da EaD no cenário dos países em desenvolvimento, principalmente em países com dimensões territoriais significativas como é o caso do Brasil.

Novas profissões vem sugindo para atender esse mercado em expansão conforme quadro abaixo:




Ainda segundo o Censo da ABED, cursam nesta modalidade 5.048.912 alunos, sendo 1.108.021 em cursos regulamentados totalmente a distância e semipresenciais e 3.940.891 em cursos livres corporativos ou não corporativos. São 1.180.296 alunos registrados a mais do que em 2014.
Isso significa que o mercado nesse setor tem crescido, transformando essa modalidade de ensino numa "febre comercial” que afeta não só instituições privadas como as públicas também.

A explosão da EaD no Brasil deve-se ao fato de configurar cursos relativamente com custos mais baixos e consequente  lucro fácil obtido pela oferta em escala,  somado a precarização dos profissionais que atuam nessa modalidade que recebem de maneira desproporcional ao número de alunos que acompanham.



Tais evidencias vem com alguns questionamento acerca da efetividade das políticas públicas a essa modalidade de ensino no que diz respeito a qualificação de  profissionais especializados para trabalhar nos polos EaD.

Outra questão diz respeito ao acompanhamento a instituições privadas que desenvolvem "metodologias" homogeneizadas com vistas no barateamento dos cursos. Além da  relação desproporcional entre o  número de professor e tutor por aluno que simplifica o processo didático-pedagógico como um todo, provocando o "ensalamento" de alunos em cursos a distância monitorados quase exclusivamente por tutores.

Podemos perceber que muitas questões envolvem a qualidade da educação a distancia visando o atendimento satisfatório para a formação, qualificação e desenvolvimento do estudante.

A EaD pode ser uma excelente estratégia de difusão do conhecimento, não só por oferecer, pelo menos a primeira vista,  uma ferramenta mais barata, de melhor qualidade, mas sobretudo por possibilitar outras possibilidades metodológicas que gerem modelos  educacionais atrativos e eficazes que, associados as novas  tecnologias, possibilite o atendimento das demandas sociais na qualificação para o  trabalho integrando os sujeitos na sociedade, potencializando a qualidade de vida e a plenitude para o exercício da cidadania.

Referencias:

GOMES, Luiz Fernando. EAD no Brasil: perspectivas e desafios.Avaliação (Campinas) [online]. 2013, vol.18, n.1, pp.13-22. ISSN 1414-4077. http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-40772013000100002&script=sci_abstract&tlng=pt

McAnally Salas, Lewis; Organista Sandoval, Javier. La educación en línea y la capacidad de innovación y cambio de las instituciones de educación. Apertura, v.7, n. 7, p. 82-94, nov. 2007.

MOORE, M. e KEARSLEY, G. Educação a Distancia: uma visão integrada. São Paulo, Thomson Learning, 2007.

Nascimento, Alberto Francisco; Pereira, Suly Rose Pinheiro. A dimensão fetichista e ideológica da tecnologia na política nacional de educação a distancia. In: XXI Encontro de Pesquisa Educacional do Norte e Nordeste, 2013, UFPE. 2013

TAYLOR, J. C. Fifth generation distance education. 20th ICDE World Confeerence. Düsserdorf, Alemanha, 1-5 abr. 2001.


domingo, 2 de julho de 2017

O MERCADO DA TECNOLOGIA ASSISTIVA





Segundo o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído pela PORTARIA N° 142, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006, Tecnologia Assistiva (TA) “é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social" .


A legislação brasileira estabelece o direito à tecnologia assistiva, no entanto a informação sobre a existência desta legislação e os direitos inerentes a pessoa com deficiência ainda não está divulgada de forma clara e fácil para pessoas que necessitem de TA. Visto que as informações existentes estão pulverizadas e ficam, muitas vezes, restritas aos diferentes agentes de governo e a poucos profissionais que atuam nas áreas da saúde, educação, assistência social, direitos humanos, trabalho, etc.





A classificação[2] abaixo, foi desenhada com base nas diretrizes gerais da ADA[3], como também em outras classificações utilizadas em bancos de dados de TA no Programa de Certificação em Aplicações da Tecnologia Assistiva – ATACP da California State University Northridge, College of Extended Learning and Center on Disabilities[4] ,  tendo como objetivo  didático para identificação dos recursos mais apropriados ao atendimento de cada necessidade funcional.





Podemos perceber a grande abrangência do tema, que vai além de um conjunto de ferramentas que  favorecem o desenvolvimento de habilidades de pessoas com deficiência, a TA extrapola a concepção assistiva como compreendemos ao agregar outras atribuições ao conceito de ajuda técnica como: estratégias, serviços e práticas. Torna-se uma questão a ser discutida quando a TA se transforma em produto a ser comercializado.


Segundo especialistas da área de novos empreendimentos, o mercado de TA está em franco crescimento em todo mundo. No Brasil, segundo o IBGE existem 45 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência, ou seja 23,9% da população brasileira, no mundo esse número chega a 1 bilhão, o que equivale dizer 14% da população mundial. Pessoas que necessitam de atendimento na saúde, educação, habitação.

Várias empresas em todas as partes do planeta vem investindo no mercado de tecnologias assistivas, para se ter uma ideia do potencial do mercado, nos  EUA são gastos U$ 58 bilhões por ano no mercado de TA. No Brasil, até o ano de 2014 foram investidos R$ 7, 2 bilhões por empresas no desenvolvimento dessas tecnologias.
A exemplo da neuro engenheira Michele Souza[5], que desde 2010, usa recursos próprios para desenvolver projetos de próteses inteligentes e um exoesqueleto que permite ao cadeirante levantar, andar e sentar.
A cientista pretende popularizar a tecnologia e torná-la mais acessível. Sua empresa comercializa a placa eletrônica que possibilita a integração entre uma pessoa e uma máquina, por R$ 928. Esta placa é a única mundo disponível no mercado para integrar o ser vivo à uma máquina. Ela possibilita o desenvolvimento de cadeiras de rodas e exoesqueletos para tetraplégicos[6.
O mercado suplanta o aspecto da inclusão para vislumbrar o impacto social na perspectiva de negócios.  As empresas vem  o potencial de consumo dessa população, e buscam adaptar seus canais de comunicação que precisam estar adaptados para esse público.
Mesmo com algum investimento por parte do governo certamente as classes sociais menos favorecidas não são beneficiadas a curto prazo (e talvez nunca) com esses avanços.



Os programas de governo não conseguem atender a demanda atualizada dessas tecnologias, sinalizando um problema social que se apresenta no mundo dos avanços tecnológicos: a equidade de oportunidades para a promoção da inclusão das pessoas com deficiência, tanto no campo da educação, inserção no trabalho, na vida privada, como na vida em sociedade ainda é uma questão que carece de resolução.



[2] Criada em 1998 por José Tonolli e Rita Bersch  e  atualizada em 2017.
[3] American with Disabilities Act,
[4] http://www.csun.edu/cod/assistive-technology-certificate-program
[5] http://www.cycor.com.br/
[6] http://economia.estadao.com.br/blogs/sua-oportunidade/tecnologia-assistiva-brasileira-ganha-mercado-e-premios/


REFERÊNCIAS

BONILLA, Maria Helena; PRETTO, Nelson De Luca. Movimentos colaborativos, tecnologias digitais e educação. Em aberto, Brasília, v. 28, n. 94, p. 23-40, jul./dez. 2015.

GALVÃO FILHO. Teófilo Alves. Tecnologia assistiva: favorecendo o desenvolvimento e a aprendizagem em contextos educacionais inclusivos. In: GIROTO, Claudia Regina Mosca; POKER, Rosimar Bortolini; OMOTE, Sadao.(Org.) As tecnologias nas práticas pedagógicas inclusivas. Marília, Oficina Universitária; São Paulo, Cultura Acadêmica, 2012. p. 65-92.